Newsletter

Cadastre-se para receber nossa newsletter.



Mesa-Redonda > Mesas

Mesa 1 - Os 'donos' do cerimonial

Autor: Nelson Speers
Data: Março de 2009
Tema: OS “DONOS” DO CERIMONIAL


O assunto passa despercebido por aqueles que estão fora do contexto. Trata-se da falta de conhecimento da forma de proceder na realização de determinados eventos, inerentes ao homem como cidadão. Evidenciou-se mais recentemente com a recente posse de Prefeitos e Vereadores vencedores das últimas eleições de 2008.
 
Os moradores da cidade, conhecedores da área e sabedores de que quando na ativa os eventos que referi pertenciam a minha área de trabalho como cerimonialista, fizeram muitas consultas sobre como deveriam ser as cerimônias em questão e mesmo se eu poderia me encarregar de alguma.

Recusei atuar diretamente. Propiciei aos interessados as informações básicas. Forneci os “Roteiros” correspondentes. Os interessados, todos vereadores, informaram que transmitiriam os informes aos responsáveis que tinham certeza necessitavam de informes.

Nessa altura, recordei que nunca soubera de qualquer programa do Cerimonial do Legislativo Estadual para capacitar os legislativos municipais às situações em foco. Recordava sim que durante as mandados de alguns governadores, o Cerimonial do Estado tivera algumas iniciativas esporádicas nesse sentido. O alvo para estes, entretanto, se concentrava nas prefeituras.

Por questões de cidadania e mesmo de sociabilidade compareci, na ocasião, a uma das cerimônias de posse.

Constatei que havia perdido meu tempo em propiciar ao Vereador dessa Câmara os informes pedidos.

O anfitrião não estava em posição adequada para receber as pessoas gradas. A mesa de honra fora montada por “convite” de quem fazia as vezes de Mestre de Cerimônia. O posicionamento para ouvir o Hino Nacional não era correto. Os vocativos nos discursos lembravam cartas embaralhadas. A seqüencia das orações definitivamente não estava dentro das normas. As vestes eram inteiramente dispares.

Terminada a cerimônia assisti o profissional que se encarregara da dinâmica e fizera às vezes de mestre-de-cerimônias ser efusivamente cumprimentado. Ostentava no rosto o sorriso da segurança daquele que sabe o que faz. Ele dispusera tudo na cerimônia a seu gosto, dentro de seus conhecimentos e fora efusivamente cumprimentado. Aparentava ser o dono do “pedaço” o “dono” do cerimonial. Só recebera elogios. Ninguém lhe criticara. Não havia mesmo ninguém com conhecimentos para isso. Essa categoria de funcionário certamente era fruto do nepotismo ou irresponsabilidade de quem os contratara. Jamais teriam gabarito para dizer da eficiência desses funcionários que passam então a ter seu serviço aprovado e elogiado.

Em decorrência passam a se considerar mestres no assunto e a proceder ou mesmo ensinar a outros os erros que cometem. Tornam-se “donos” do Cerimonial.
Isso não acontece somente a nível municipal. Por coincidência logo em seguida recebi telefonema de ex-aluno que, com resquício de censura ao que eu ensinara, informou que assistira uma cerimônia universitária em que o Reitor, como anfitrião, cedera a precedência ao governador e ao prefeito.

O aluno, lembrando que tal coisa não coincidia com o que eu ensinara, indagou dos responsáveis porque o reitor não mantivera a segunda precedência a frente do prefeito como seria o correto. A resposta que obteve foi de que quem assim agira era de alta competência e que era preciso lembrar que o protocolo seguido fora o político e não o convencional.

Para situações como esta, existe uma norma: Quando a presidência é cedida compulsoriamente, o cedente se posta a direita de quem preside; quando é cedida opcionalmente o cedente se posta à esquerda.
Esse fato vem confirmar que a incompetência na área do cerimonial se transforma em “competência” e que o cerimonial se torna, muitas vezes, propriedade de despreparados. Passam a “donos” do cerimonial em razão de uma verdadeira “grilagem”. 

Nelson Speers
Janeiro de 2009

Deixe um comentário
Seus dados não serão publicados.
Nome:
Numero de Filiação:
Cargo e Instituição:
Cidade:
Estado:
Telefone:
WhatsApp:
Email:
Mensagem:

O limite de caracteres é de 500
 
voltar
Compartilhe:

Rede Sociais

Biblioteca

Copyright ® 2017 CNCP Brasil - Todos os direitos reservados Ícones dryicons.com