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A Epopéia dos Mestres de Cerimônias

Prof. Dr. Silvio Lobo Filho[1]

 

Voltai os vossos olhos ao passado longínquo, lá longe, nos milênios guardados nas cinzas do tempo e vereis desde a proto-história a gênese do cerimonial.  

Cenas de celebração, marcos primeiros dos rituais, das festas, do poder bélico, do soberano e da religião.

Emitindo gestos, desenvolvendo rituais, transmitindo mensagens, prestando homenagens, projetando imagens em signos lingüísticos por forças simbólicas, interpretando ordens representativas da soberania, da força e do poder, nasceu o Mestre de Cerimônias emergindo do ritualismo cerimonialístico, corporificando a emblemática figura do emissor, do anunciador, do arauto, do Heraldo.  

Folheai os livros das civilizações nas amarelecidas páginas da história e encontrareis nos relatos do mundo oriental e ocidental, dos povos e das sociedades, a produção e re-produção das magias, simbologias, mitos e ritos, compondo linguagens de representações nas estruturas de poder.

A estruturação dos códigos de signos de comunicação possibilitou a manutenção da soberania de governos com a adoção de espaços de representação preenchidos pelo Mestre de Cerimônias, cumprindo a tarefa de emissor de mensagens, magnetizada pelo encanto do mitológico e supranatural.

Interpreta o Mestre a voz determinativa do soberano, sua ordem e desejo como comando máximo, compondo personagem no cenário cerimonialístico das mais altas instancias do poder ritualístico.

O ritual dos anúncios e chamadas fortalece o comando, reforça a soberania e reverencia a hierarquia nas determinações das precedências pela ocupação dos espaços e tempos.

Ergueis o olhar no horizonte do passado e podeis contemplar os praecores prestando assistência à magistratura, os fetiales congregando as altas castas como sagrado e inviolável nas missões diplomáticas de paz e guerra,  os arautos e heraldos organizando eventos, convocando oradores, exercendo formulas rituais e sagradas nas cerimônias, executando gestos e signos, carregando objetos e distintivos, contando os votos nas eleições e anunciando os resultados, apregoando julgamentos e notificando as partes.

Em todos os espaços da sociedade ocuparam postos quer como arautos dos jogos olímpicos, arautos dos mercados ou arautos sagrados dos mistérios de Eleusis.

A estrutura da convivência humana constituída por rituais, liturgias, etiquetas e cerimônias foi composta desde os primórdios com regras e cenas comandadas por gestos e vozes dos Mestres de Cerimônias. Postados nos templos ao lado dos sacerdotes, nos Tribunais ao lado dos Juízes, nas cortes e palácios ao lado dos reis, monarcas, imperadores, presidentes e soberanos.

Da sua função o poder jamais prescindiu, quer nas aristocracias ou nas oligarquias, nas monarquias ou nos impérios, nas colônias ou repúblicas, nas ditaduras ou democracias.

Eis os Mestres a exercerem princípios de cordialidade, solidariedade e hospitalidade.

No cumprimento das suas tarefas sabe ordenar as apresentações, estabelecer ordens e controlar comportamentos.

Domina a modalidade de voz, volume, intensidade, ritmo, tom e expressão.

Observa os limites sociais e culturais no modo de funcionamento do corpo humano.

Analisa e exercita expressões faciais, movimentos oculares e corporais.

Busca a excelência no uso correto das ferramentas da comunicação.

Filtra informações, usa a empatia, compõe o discurso da imagem na rede de elementos visuais.

Pensa, reflete, planeja e processa o comando das cerimônias  

Exerce na comunicação a linguagem do dito, do não-dito, compondo e dominando falas e movimentos, controlando medos e ansiedades.

Senhoras e Senhores tenho a honra de vos apresentar: o Mestre de Cerimônias.



[1] Silvio Lobo Filho é Professor Titular Doutor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Presidente do Comitê Nacional do Cerimonial e Protocolo- CNCP/Brasil, Acadêmico Cadeira 12 da Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo, autor da Crônica ao Cerimonialista e Mestre de Cerimônias.   

 

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